São Paulo, junho de 2017.

30.6.17

Faz pouco mais de dois anos que sai de casa para procurar algo muito importante que eu tinha perdido a muito tempo. Sai de casa para procurar uma pessoa que eu ainda nem tinha conhecido. Sai de casa para encontrar minha casa, meu lar, minha vida, meu eu.

Quando parti tinha como destino uma selva de pedras, um alugar cheio de pessoas, porém famoso por ser vazio de sentimentos, e eu estava cansado de viver sufocado com tantos sentimentos, eu não conseguia me encontrar ali, me organizar, me entender. Decidi buscar meu destino pré-determinado pelos filmes e séries que passei a vida assistindo.

Sempre fui muito mimado, sempre tive atenção de todos, era sempre assunto em rodinhas de conversas, e não me leia como arrogante, pelo menos não o EU que está escrevendo esse texto, mas o EU de pouco mais de dois anos atrás sim, era um serzinho egoísta, arrogante, mimando e sem noção nenhuma da realidade. Alguém que se projetou em sonhos alimentados por realidades tão, mas tão distantes que seriam necessárias mais de três vidas para se alcançar, se não mais.

Mesmo tendo tanta atenção, tanto carinho, tanto amor me envolvendo as críticas, os comentários negativos e tudo aquilo que me fazia mal ainda era o que eu mais absorvia. Os comentários onde eu era o “preguiçoso”, o “encostado”, o “mimado”, o “acostumado” sempre se sobressaiam aos comentários que me rotulavam como o “confiante”, o “inteligente”, o “divertido”, o “criativo.

Com tantos sentimentos eu me projetei como alguém que precisava de um lugar onde os sentimentos não me sufocassem, que aquela atenção toda não me esmagasse em um espaço tão pequeno que eu conheço como minha mente. E foi assim que comecei a minha jornada pela mudança, me mudando, literalmente. Fui para a cidade grande, para a tal selva de pedra, e lá vivi coisas incompreensíveis. 

Experimentei uma quantidade considerável de corpos, conheci muitas bocas, dormi em muitas camas, encontrei amores, e desencontrei também. Fiz amigos, desfiz amizades, experimentei drogas, gostei de algumas, me desapeguei de outras. Conheci alimentos novos, e cheguei à conclusão que odeio fast food (foi mal McDonald). Projetei sonhos ainda maiores e desconstruí muitos ideais e tamanhas certezas.


Dentro em dois anos e 4 meses eu conheci e desconheci muitas coisas, pessoas, lugares, sentimentos, momentos. Mas o principal de tudo. Foram necessários exatos dois anos e 4 meses (e alguns dias vai) para eu então entender que eu tive que ir morar a centenas de quilômetros de onde eu nasci para então encontrar o que eu sempre busquei. E que tudo o que eu vivi aqui eu poderia e poderei viver em qualquer lugar, afinal o que eu busquei por tanto tempo e tão longe de casa na verdade está e esteve sempre no mesmo lugar. Dentro de mim mesmo. Está tudo aqui, desde os meus sonhos, os meus projetos, as minhas decepções, as minhas realizações, e no fim de tudo a minha história. As minhas possibilidades vivem e coexistem dentro do meu mais precioso cofre, EU MESMO. 



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