Texto: Sobre minha necessidade de ser infeliz.

16.1.15

As vezes eu me pego pensando no passado. Penso em como eu era infeliz, no quanto sofria no meu relacionamento, e no quanto eu deveria odiar meu ex namorado. Mas eu também lembro dos momentos bons, e isso acaba me consumindo por dentro.  Por qual motivo a pessoa desgraça com toda a sua vida, e você ainda continua enxergando lados bons nela? Não deveria. Definitivamente, não deveria enxergar nada de bom, assim como deveria superar a coisas ruins (palavras da minha maravilhosa psicóloga, que é a única coisa de bom que aquele desgraçado trouxe para minha vida). Mas não, eu simplesmente tenho que me afogar em lagrimas por meu relacionamento não ter dado certo, mesmo sabendo que na maioria das brigas eu não tive culpa nenhuma.

Daí eu estou passando na rua, quando de repente vejo a “criatura”. Caralho! Porque ele não passou por outra rua? O que ele esta fazendo aqui? Eu não tenho o direito de sair de casa agora, é isso? Só pode ser provocação do destino. Eu jurava que tinha esquecido esse traste semana passada, quando ele me mandou aquela mensagem ridícula, perguntando minha opinião sobre uma coisa idiota, como se com isso ele fosse concertar as coisas! Será que ele me acha tão burra assim? Não! Ele tem certeza. Por que eu realmente devo ser mesmo.

Talvez eu nunca volte a sentir nada de verdade, porque eu estou destruída demais para isso. Cada dia, cada mês, cada ano, deixa um pouco mais de depressão, sensação de vazio, e inutilidade dentro do meu coração. Eu não deveria me sentir assim, afinal vai passar né? Não, não vai mesmo. Eu vou ser obrigada a olhar pra cara dele na rua (ou inventar uma doença contagiosa para ficar escondida dentro de casa), e fingir que esta tudo bem, que ele não destruiu a minha vida, os meus sonhos, e as minhas músicas prediletas. Poxa, ele poderia ter me deixado pelo menos com as músicas, elas seriam perfeitas para me acompanhar enquanto viro mais uma dose de vodka. Mas não seria o amor da minha vida, se não tivessem restado só os cacos né?

A gente ia casar, acredita? Mas ele me deixou antes. Eu devo ter muita sorte mesmo, pelo menos sou super criativa, o que me ajudou a imaginar varias formas do avião ter caido! Mas poxa, ele continua vivo! E eu escrevendo sobre ele, lembrando dele, chorando por causa dele. Daquele dia em diante, eu praticamente gastei metade dos meus dias, me equilibrando entre querer que ele morra, e querer que ele volte. Eu devo ser muito retardada mesmo, ou pior, deve ter um botão dentro do meu coração, que ativa essa minha necessidade de ser infeliz. Sobre o fim do nosso namoro, a única coisa que eu posso afirmar, é que matou metade de mim. Talvez a metade que prestava, que confiava, que amava de verdade. Posso contar um segredo? Eu nunca mais consegui sentir nada de verdade desde de aquele dia. E provavelmente eu nunca mais consiga.


Texto: Sobre minha necessidade de ser infeliz.


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