Texto: Estação Futuro

8.10.14

Queria poder mudar alguns dos meus pensamentos. Queria poder guardar menos mágoas, ser menos egoísta. Na verdade eu posso, posso tudo o que eu quiser, então na verdade não sei se quero isso mesmo, ou se devo mudar essas coisas.

Acho que isso tudo me faz mal ou não faz ou não sei mesmo o que estou falando, talvez a  minha vontade louca e súbita de desabafar seja tão grande e o meu medo de explodir por dentro de tanto que tenho que me segurar pra não gritar pro mundo o quanto detesto tudo isso e parecer um maluco revoltado não me deixam fazer nada disso.

Me sinto preso, me sinto controlado, me sinto limitado e me sinto meio imprestável também. Me sinto como aqueles objetos inúteis que temos em casa, aqueles objetos bonitinhos que não servem pra nada, que mesmo sendo bonitinhos não combinam com a decoração, por que eles não foram feitos para habitarem aquele espaço.

Ah, isso é normal, isso são sentimentos da adolescência, se sentir mal compreendido, não se sentir localizado e toda essa baboseira William. Eu te digo que talvez fosse mesmo normal, se não fosse o pequeno detalhe de que eu não sou mais adolescente. Agora eu sou adulto, eu preciso das minhas responsabilidades, da minha independência e de tudo o que um adulto precisa.

Balela, isso não é o que eu quero de verdade, eu quero mesmo é poder me sentir em casa, me sentir vivendo onde fui destinado para viver, me sentir fazendo o que fui destinado a fazer e sendo quem eu fui destinado a ser. Eu não aguento mais viver uma vida que não é minha, e não ter a chance de ser quem eu tenho aqui dentro pra ser.

Estou destinado a viver pelo próximo, a fazer algo que mude o mundo, ou que pelo menos mude a vida de alguém, devo estar sendo um narcisista de merda nesse meu texto, me mostrando melhor que alguém, eu não sou melhor que ninguém. Quer saber, eu sou melhor sim! Sou melhor que esse Eu que está existindo nesse momento.

Preciso mudar, sair, sumir. Preciso viver, por que sonhar eu já sonho aos montes, tô precisando curtir um pouco, subir essas paredes de sonhos e poder toca-las com as pontas dos meus dedos, e não só nos meus momentos lúdicos, mas sim nessa realidade suja e mórbida. Viver a minha vida colorida a olho nu, sem filtros de Instagram e de edições de telas touch.

Quero mesmo é ter as sensações na pele, e sentir aquele aroma que pra muitos é o cheiro da desgraça humana, que pra muitos não passa de CO2, mas pra mim é cheiro de felicidade, as cores que se resumem em neutras, que pra muitas pessoas não passam de concreto e vidro, mas pra mim é o cenário do paraíso.

 Eu quero viver no grande, ou melhor, eu quero viver na grande, na metrópole entre os arranha céus e as buzinas frenéticas, esse é o som da trilha sonora perfeita da minha vida. Eu sinto isso, sinto todos os dias que acordo, sinto todos os dias que fui destinado pra algo grandioso, fui destinado ao meu eu que me espera em uma estação qualquer, e que na verdade eu só preciso entrar nesse trem chamado destino e desembarcar no ponto chamado futuro.




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